Foi ontem (20 de Agosto) que começou a aventura marroquina.
A viagem foi levezinha, acordei às 4h30, saí de Lisboa no avião das 7h em direcção a Madrid. Às 10h30 estava a caminho de Casablanca e às 13h a caminho de Marrakesh. Cheguei ao estaleiro da empresa as 16h. À chegada fui recebido como um D.Sebastião porque durante todas estas horas não comuniquei com a empresa (estava combinado ser recebido por um Youseff qualquer no aeroporto), e se julgava que o infeliz acidente que aconteceu poucas horas depois do meu vôo em Madrid, pudesse ter sido comigo.
Neste ambiente messiânico dei uma voltinha pelo estaleiro onde conheci a minha autêntica "villa", os luxuriantes jardins e a fabulosa paisagem a lembrar a Suiça e no qual não posso deixar de mostrar umas fotografias.
Durante a viagem de 2 horas entre Marrakech e Imi-n-Tanoute (afinal é assim que se escreve mas acho que vou borrifar nos travessões) apercebi-me de como este povo é muito pouco civilizado a conduzir. Nunca vi nada assim. Nem sei para que existem traços contínuos ou raias, são simplesmente ignorados. Curiosamente, nunca vi a estrada tão policiada como cá. Conclusão, uma pessoa até pode ter 5 carros marroquinos lado a lado onde só existem 2 faixas, mas não pode ultrapassar em um 1km/h o limite de velocidade, se for estrangeiro. Alcool não controlam porque cá não se pode beber, é mesmo proibido (em teoria).
Tive oportunidade para apreciar uma mota (verdadeiras vítimas da estrada) a ser empurrada para o lado porque lhe apitaram e não se desviou para a berma de terra (a afronta!). Não foi assim com grande espanto que vi um acidente de carro (onde felizmente ninguém se magoou, mas nem sei como) em que conseguiram destruir um Dacia (carro da moda cá) por completo (ficou de tal forma empenado que só 3 das 4 rodas é que tocavam no chão, a outra ficava no ar).
A pergunta óbvia é "mas então como é que deu para veres tudo tão bem, oh meu Eça de Queirós da descrição ?". O meu motorista quando viu aquilo simplesmente parou o nosso carro na estrada para ficarmos "a ver uma beca". Como na outra faixa um outro condutor também quis ver, durante 5-10 minutos aquela estrada esteve fechada ao trânsito, com as inevitáveis filas e buzinas, para que dois seres humanos pudessem acompanhar com toda a calma, o drama (sempre dentro do carro). Felizmente amenizou com um "non.. ce n´est pas grave", verdadeiro diagnóstico da situação.
Há chegada tive ainda tempo para visitar a obra em si, e confesso que fiquei esmagado com a escala, não estava à espera que se tratasse de uma obra tão grande. Nessa fase foi bom sentir essa motivação porque já só pensava "mas no que é que me fui meter".
O tempo cá é complicado. De dia esteve um calor infernal e às noite arrefece imenso. Nalgumas fotografias poderão reparar na neblina castanho-acizentada que paira no ar, a lembrar o fenómeno de "smog" que deixa qualquer um à beira dum ataque de nervos.
Primeira conclusão, vai ser bem mais difícil de aguentar isto do que eu estava à espera (as condições são mesmo duríssimas), mas continuo a acreditar que é possível e mantenho a força. As pessoas têm sido simplesmente impecáveis e não escondo que isso tem sido uma enorme ajuda.
ABRAÇOS DO MAGREBINO
3 comentários:
bravo bravo... tas no alentejo.. a serio parabens!!!
Já há muito tempo que eu e minhas dignissimas colegas de trabalho não nos ríamos tanto com tamanha prosa literária......genial, ainda para mais porque estou de malas aviadas para esse pedaçinho de céu e encantos mil que é Agadir..lol e já não posso voltar a trás...continue a deliciár-nos com suas aventuras magrebinas...
Fico muito contente! eu não fiz mais nada do que apenas transcrever o meu dia-a-dia, a estrela sem dúvida que é este país.. vale muito a pena conhecê-lo. É uma aventura!
Agadir é uma cidade fantástica. Vai gostar!
Entretanto já tenho regresso definitivo marcado para 28 de Agosto. Não escondo que um ano depois, morro de saudades do nosso cantinho à beira-mar plantado.
Boa viagem!
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