7 de outubro de 2008

JSB - REGRESSO À ORIGEM

Quando, pela janela do meu avião, deixei de ver a baía de Lagos senti-me mais uma vez "emigrado". Foi desta forma que acabou o meu regresso a Portugal, em 6 dias absolutamente perfeitos. Entre os mimos de família, as gargalhadas de amigos, o sol da Linha e a agitação única (estranhamente fervilhante e melancólica) de Lisboa, senti-me em casa. Só me apetece abraçar-vos e agradecer o bem que me fizeram. Devia até ter ficado um pouco chateado, tendo em conta que tornam a vida aqui mais difícil com as saudades, mas não escondo que esta ansiedade e vontade de voltar, são como um fósforo aceso num paiol: uma luz no escuro, uma mistura explosiva e uma única certeza, no fim é animação garantida.

A viagem? Um assombro.

Para compreender, comecemos pela génese. Se eu acrescentar que além de apreciar Lagos, fui capaz de ver a Meia Praia, distinguir a minha casa, contar quantos barcos estavam ao largo e perceber se havia trânsito na Av. Infante D. Henrique, começa-se a desconfiar que sou um aldrabão e que a viagem só pode ter sido feita em algo parecido com uma asa-delta. O que não é de todo descabido. Como percebo muito pouco de aeronáutica, decidi informar-me sobre a fauna de seres voadores e descobri um nome de campeão: Beechcraft 1900.

Este pequeno colosso aéreo, verdadeira ave de rapina dos céus, com espaço para 19 pessoas (pilotos incluídos), permite não só uma viagem muito aconchegada (não aconchegante) e repleta de emoções, mas sobretudo uma incrível vista do país. Não escondo que senti uma sensação óptima por poder ver a Meia Praia, acompanhar a costa alentejana e apreciar a lindíssima entrada de Lisboa (culpa do Tejo). Senti-me uma criança. Uma daquelas muito curiosas que tudo quer ver, que tudo quer saber, que não se deixa dormir. No fundo como sempre fui, mas um pouco maior.

Mas que, pormenor importante, já não sou. E o tom gabarola de um dos pilotos a perguntar-me se eu queria ir espreitar a cabine, foi quase como um ataque pessoal. Então eu, um verdadeiro pirata de Marrocos, ia feito puto espreitar o cockpit do Beechcraft? Hmm.. talvez.. dei uma pequena espreitadela, mas com um ar perfeitamente desinteressado. Como diria a Coca ".. a fazer género..".

Nem tudo se perdeu. Apesar de não vos poder mostrar como é a zona de comando do avião, fui capaz de descortinar uma animada filmagem do fabuloso portento tecnológico a levantar voo


O voo de regresso teve ainda um sabor especial. Descobri que a minha mala, apesar de mais pequena (somente 25 kg), teve mais juízo do que eu, tendo ido para outro local qualquer que não Casablanca. O que é sempre confortável, porque mais cedo ou mais tarde acaba por vir pelo seu pé até casa, poupando-nos a uma discussão e sobretudo à trabalheira de a carregar. Outro ponto forte foi passar a ter uma mala com mais algum calibre a nível de milhas aéreas.



Um pequeno parentesis. Uma rápida análise ao departamento de sondagens do difusor cultural Hola Magreb!, sugere-nos que as pessoas acreditam que me vou aguentar por cá, algo que muito descansará a administração da minha empresa, a quem vou já reencaminhar o relatório.
E para fazer jus a esta opinião aqui estou eu de regresso ao meu dia-a-dia marroquino.

ABRAÇOS

3 comentários:

Sr. Rato disse...

meu granda maduro!! é impressão minha ou havia alguem um picollo "nerbioso" quando se deu a descolagem!? ... com uma "passarola" dessas quem é que tem medo.. =) (sorriso amarelo) agora já tens uma ligeirissima ideia do que é voar numa maquina dessas (experimenta o C-130 Hercules...)

Um fortissimo abraço meu champ amt

BMourao disse...

Vieste a Portugal?

JSB disse...

Não achaste estranho o pessoal estar ocupadíssimo nesses 6 dias?

"obg pelo convite mourão mas eu vou.. hmm.. tenho um jantar de família, va abraço, dps falamos"