Proponho um pequeno desafio.
Marrocos. Pensem no país.
Recordem ou imaginem a sua paisagem, as suas temperaturas. Quais são as suas cores?
Coloquei-me na pele de um curioso e escrevi "Morocco" no Google. A primeira imagem que apareceu:
Marrocos. Pensem no país.
Recordem ou imaginem a sua paisagem, as suas temperaturas. Quais são as suas cores?
Coloquei-me na pele de um curioso e escrevi "Morocco" no Google. A primeira imagem que apareceu:

Esta é realmente a marca que o país passa para o exterior. Areia, camelos, cores quentes e calor. Por acaso (ou talvez não) era também assim que imaginava. Quando se aprofunda um pouco o conhecimento desta terra, somos capazes de acrescentar à nossa imagem mental os mercados, a religião, as especiarias e as vestes compridas. Nesta fase do percurso imaginativo de cada um, Marrocos provavelmente já deixou de ser "o deserto" para passar a ser algo como "aquele local exótico e quente".
Adiante.
Fizemo-nos à estrada. Trinta minutos depois de sair de Marrakech tivemos algumas imagens rurais que nos surpreenderam pelo frutoso uso desses espaços privilegiados a que dão o nome de "bermas da estrada":
Banhos de sol (em plena curva, note-se)
Debate eleitoral (sub-10)
Neve. Uma visão Dantesca ou apenas uma leve demonstração de presença geográfica, dada pelo Atlas? Quem conseguiria imaginar um cenários destes em Marrocos?
Começámos a sentir esta aura Alpina, mas fomos subitamente atirados de volta à realidade. Só neste país é que é possível encontrar, a 2500m de altitude e com temperaturas próximas do zero, três "conta-carros" (versão mirone junior) estacionados em plena berma. Uma fixação.
Começámos a sentir esta aura Alpina, mas fomos subitamente atirados de volta à realidade. Só neste país é que é possível encontrar, a 2500m de altitude e com temperaturas próximas do zero, três "conta-carros" (versão mirone junior) estacionados em plena berma. Uma fixação.
Benvindos a Oukaimeden. Com certeza o local onde se concentra o maior número de campeões, craques, pintas e cromos marroquinos, por metro quadrado de neve. Nada é normal, um verdadeiro case-study.
A estância no máximo do seu esplendor...
...uma olhadela de perto dá logo outra noção
Praticamente o glamour de Aspen. Para compôr o ramalhete, apercebemo-nos que existem duas regras básicas para se conduzir na neve. A primeira, mal o carro comece a deslizar, deve baixar-se uma mudança e carregar o acelerador a fundo. Isto garante um ambiente de autódromo e, volta-não-volta, que saia um carro disparado. Com um pouco de acção vem a segunda regra. Se os travões não reagem, então o melhor é ter pessoal cá fora a segurar o carro. E resulta. O momento alto da chegada foi ver um polícia a tentar segurar dois taxis encostados um ao outro que animadamente seguiam em direcção a um terceiro carro.
Como diria um grande mestre aqui do nosso estaleiro... "está o circo montado".
Como diria um grande mestre aqui do nosso estaleiro... "está o circo montado".
É imbuído neste espírito que se tira a característica mais visível em Oukaimeden. Ninguém tem medo de cair. Aliás ninguém tem medo do que quer que seja. Pode vir um carro desgovernado, so what? "Ah está escorregadio? Então deixa-me ir de lambreta com mais dois e com material de ski". "Hmmm.. o gelo é perigoso? Então é óptimo para se correr um pouco e dar uns saltos. Cair ao chão não é drama. Pas de probléme". "Tens 5 anos e já gostas de brincar com a neve? Então tenta agarrar este cubo de gelo do tamanho de uma bola de futebol. E se não queres levar com a segunda levanta-te oh puto".
Decidimos arriscar.
Éramos uns quantos, mas apenas houve dois voluntários para experimentar a qualidade do equipamento à disposição. O mais batido, o Sérgio, dono e senhor de experiência q.b. no que toca a ski, teve facilidade na escolha do material deslizante. Já eu, com uma bonita mistura de inexperiência e inconsciência, pareceu-me perfeitamente normal aprender a arte do snowboard, naquele ambiente de extrema segurança, e melhor, dei-me ao luxo de escolher o meu equipamento. Na altura o encarnado pareceu-me bem, seguiu o encarnado.
Feitas as apresentações, seguimos para as pistas.
Forfait? 3 euros. Preço a pagar para se ver uma quantidade fabulosa de malabaristas em acção.

O Sérgio não deixou mal a bandeira lusitana e arrancou com facilidade.



Claro que não deixámos de poder apreciar algumas pérolas, como por exemplo, a passagem de dois pequenos foguetes marroquinos, um deles de baboushas calçadas (normal aliás por aqui)
Ou ainda a máquina inofensiva onde a pequena criança aprende a macieza do ferro (com a almofada, atente-se ao cuidado)
Sem ilustração fica um pequeno contratempo que eu e o Diogo tivemos o prazer de ver. Ao fim da tarde, uma das muitas opções disponibilizadas para o visitante é a passeata de mula. Porque a mula cá é como a lambreta em Roma. Toda a gente tem uma. É prática e económica para ir de A para B. Estávamos nós entretidos a apreciar o facto quando ouvimos um esforçado "attention, attention..!!" de um marroquino desgovernado que não contente com a admirável pista que tinha pela frente, decidiu acabar a sua volta já no gelo do asfalto. Tudo normal não fosse estar a passar uma das mulas com duas pessoas (e todo o género de trecos de ski pendurados). E como tudo o que pode correr mal, acaba sempre por correr mal e da pior forma possível, efectivamente as pernas da mula foram "lavradas" pelo craque do ski, provocando uma série de cangochas e coices que acabaram por atirar as duas raparigas para cima do jovem desportista (entretanto deitado e finalmente parado). Como se a cena já não estivesse boa o suficiente, um transeunte extremoso decidiu dar uma ajuda a uma das meninas, e quanto mais a puxava para ela se levantar, mais pisava a mão da outra com o seu ski. Conclusão, houve efectivamente um esgar de dor, mas foi somente por causa da pisadela e não por causa de todo o espectáculo dado pela mula. Face a esta perspectiva considero o saldo relativamente positivo face aos ingredientes envolvidos.
Como notas finais deixo aqui um pormenor para a minha mãe.
Dou por mim a pensar que Marrocos é mais do que um país. É um filme.
Nós provavelmente não ajudamos.
UM GRANDE ABRAÇO
3 comentários:
Meu amigo , este post é a imagem total que tenho de marrocos , adorei e acho que qualquer pessoa devia conhecer nem que seja por uns dias!!
Tens nesta experiência uma história de vida , lembra-te disso!!
GIVE THEM HELL!!!!! abraçao ate ja!
o Poeta
Gostei do seu post escrito.
Parece-me um jovem com aberto a experiências agradáveis com o seu Q de curiosidade.
O texto está composto e organizado fazendo da leitura uma constante emoção de sentimentos e sensações.
Denoto alguma imaturidade a nível psicológico, que eu considero perfeitamente normal, devido concerteza a uma intimidade mais próxima com um grupo de amigos perfeitamente anormais ou até um primo completamente atrasado mental!
Notória também o a minha revolta a polícia marroquina que como força de autoridade deixa um pouco a desejar. Como me arrepiei aqui lembrando-me dos meus tempos na Roménia onde me prostituía para conseguir dinheiro e cavava ao bravos polícias por ruelas escuras e sombrias.
Vou permanecer a acompanhar a sua escrita com admirável interesse.
Sempre sua,
Valeria Mazza
Valeria mazza , gostei do seu comentário.
Porém , fiquei com algumas dúvidas provavelmente devido a minha falta de normalidade.
Diz:
-o texto é composto e organizado fazendo da leitura uma constante emoção de sentimentos e sensações
-devido concerteza a uma intimidade mais próxima
Fiquei inebriado com a utilização do pleonasmo , mas permita-me que lhe diga que alunos da 3ªclasse escrevem melhores poemas e com menos erros.
Se não compreendeu e as palavras são lhe muito caras , sugiro que não se aborreça , nós os não normais somos assim , complicados.
Sempre atento
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