2 de junho de 2009

JSB - (MAIS UMA) ANÁLISE DE FENÓMENOS

No que toca a fenómenos Marrocos é um 'habitué'. Factos, portentos, ocorrências, engendros, raridades, maravilhas, prodígios e quimeras. Coisas estranhas em geral, o nosso quotidiano em particular.

Estamos atentos. Três ocorrências.

Avistámos uma espécie que nos anos 60 se propagou bem. Antes de levantar o véu, deixo uma pista. Lembram-se daquela fase de ouro em que peritos americanos criaram a loucura de Roosevelt e toda a gente tinha para contar, uma história de OVNIs ao pé de casa? Exactamente. Avistámos um desses charutos com luzes. As descrições batem certo e é inegável a nossa sagacidade na identificação.

Movem-se em casal, normalmente em conjunto com dois ou mais quadrúpedes. Descendentes directos do grande berçário de Woodstock, optaram por (na mais pura das simplicidades)desencantar um autocarro e transformá-lo num palacete portátil. A escolha é óbvia, um monovolume é ridículo no seu espaço, uma autocaravana é para meninos e uma 'rolloute' é apenas um penteado com imenso sucesso na Cruz Quebrada. Esta espécie quer-se bem instalada e é capaz de tudo. Perfeitamente normal. Foram topados e desmistificados.


Outro fenómeno de eleição, é o conjunto de simpáticos passeios de skate.

Num dia normal não mereceriam atenção, mas neste caso sim. Se uma pessoa com 26 anos, decide recuperar um hábito perdido aos 14, alguma coisa não pode estar completamente a 100%. Para o caso, "quarter-life crisis" poderá ser uma denominação adequada (mas sem qualquer controlo na origem). Na matemática seria um ponto notável. Na marcação de um penalty seria uma paradinha. Na leitura de um poema seria uma pausa com olhar para o horizonte. Escapando ao corrente, confere genuinidade e acrescenta uma dose de insanidade ao conjunto. Foi assim que interpretei o fenómeno pela cara das pessoas quando me perguntavam.. "estás a gozar, compraste um skate ..?", como quem queria dizer "enlouqueceste, estás a espera de consulta ..?". Mas não o fizeram por educação. É agradável.



Mais levezinho do que um petiz na noite de consoada (que palavra bem escolhida, petiz!), saí da loja praticamente em cima do skate. Como as primeiras voltinhas correram bem, a moral disparou. Em pouco tempo já me sentia, como diria o fabuloso poeta Miguel Rato, uma espécie de Tony Hawk. Sem grande surpresa

[deixem-me só ir convidar um escaravelho/carocha (nao consigo distinguir, pelo tamanho parece um coelho mesmo) a sair do meu gabinete. Não é que me incomode (até incomoda), na verdade a noite está muito agradável e parece-me sensato ele ir apreciar o luar]

Sem grande surpresa uma avenida com esplanadas em Agadir, assistiu à passagem de um ser humano em claro excesso de velocidade, erguendo-se no ar de forma vigorosa e espectacular, acabando (como qualquer elemento que contrarie a gravidade) desgarrado e em queda. O skate só foi travado pelas pernas das mesas. Os espectatores conseguiram misturar curiosidade, estupefacção e ligeira admiração num só olhar. O Diogo, mal conseguia respirar de tanto rir, uma ajuda preciosa. Todo o conjunto, um quadro vivo.


Prosseguindo o périplo.
Antes que o Diogo desenvolva o seguinte filão (está com vontade) e apareçam imagens que ficam melhor guardadas na memória e coração de cada um, decidi atirar-me de cabeça para o abismo social e abordar um tema sensível. Sinto que captei a curiosidade.

Há uns dias em que tudo corre bem (na Nicarágua, não aqui), onde só nos apetece abraçar quem nos rodeia (até não respirarem), ouvir todo o género de opiniões (calados de preferência) e nos sentimos bem levezinhos (para atirarmos à parede o telemóvel que não pára de tocar). Esses são 'os' dias. Transfiguramo-nos. Uns ganham tiques. Outros berram. Há os que fumam desarvoradamente. Os que bloqueiam. Os que comem, comem, comem. Há até quem aproxime a sua linguagem ao estilo Barbosa du Bocage. O ser humano torna-se simplesmente encantador. Culpa deles, dos nervos, claro.

Uma das minhas características ("uma das" já que esbracejo, ando de um lado para o outro, berro, como, como, como e só não fumo porque nunca o fiz) é única. Matemática pura. O nível de stress é proporcional ao número de caracóis formados no cabelo. É herdado, não há hipótese. Obrigado meu pai!

O resultado final é simples. Basta imaginarem o cabelo de Louis XVI de Bourbon:


Aquela cara simpática de Johnny Lawrence (o puto mau-da-fita do karate kid):



E o sorriso completamente alucinado de Jack Nicholson 'a la' Joker:


Nota importante:
1) Meu querido pai, por herança só me refiro aos surpreendentes caracóis no cabelo;
2) Diogo, obrigado por teres desencantado todas as personagens. Nunca mudes.

O resultado final é chocante:

Bom, todos sabem que é uma fotomontagem. Já passou.

ABRAÇOS

4 comentários:

Anónimo disse...

Encontro-me eu a ler os e-mails do dia , com o youtube a "rodar" a versão ao vivo na rádio Radar do David Fonseca da música "read my mind" dos ENORMES The Killers , quando decido checkar por novidades.. MEU AMIGO... confesso que já tinha visto alguns fenómenos capilares (o mourão neste momento aproxima-se de uma mistura entre o Luis XIV com o Pablo Aimar e ainda um toque do jogador Nelo do boavista na decáda de 90) mas tu tás lá.. lol.. claramente lá!! não mudes sff!!

TA QUASEEEEEEEEEEEEE!!!!!!

Enorme Abraço à poeta

Pedro disse...

Vá ao site do National Geographic e veja a "photo of the day" do dia 4 de Junho.

JSB disse...

Caro poeta posso descansar-te, o cabelo continua a crescer forte e neste momento nada o vai parar. Próximo passo é efectivamente um pequeno rabo de cavalo.

Pedro! Espero que esteja tudo bem consigo! Fui espreitar as fotografias ao National Geographic e vi a que falou, com a fantástica Praça Jemna el Fna. O ambiente que associo à praça, é precisamente aquele. Está perfeita!

abraços !

BA Barracus disse...

Buenas...

a determinada altura identifiquei-me com algo que escreves-te no teu post! Acerca dos comentários que as pessoas fazem qdo dizes que compras-te um sk8! Peço dsc por ter sido tão pouco original! ;)

abracinhos,